Dar voz ás mulheres que precisam é um ato revolucionário contra a invisibilidade feminina


Você já se sentiu invisível? A maioria das pessoas vai responder que sim, porém a invisibilidade, especificamente a feminina, é milenar. Atinge o mundo inteiro e ainda hoje, mulheres são tratadas de forma diferenciada em quase todos os setores da sociedade. Em pleno 2021, no mercado de trabalho, nos meios científicos, na rua e muitas das vezes no próprio lar os direitos das mulheres não são respeitados, deixando-as num lugar de vulnerabilidade, silêncio e invisibilidade.

A criação da mulher é baseada num machismo estrutural, sendo sutilmente conduzida a um comportamento estereotipado desde a mais tenra infância. É colocado no seu subconsciente a responsabilidade de cuidar do lar, dos filhos, do companheiro, do trabalho, do mundo como um todo. A criação do menino é muito diferente e ele não é, na maior parte das vezes, educado para assumir os cuidados de si próprio, dos filhos, da alimentação, da casa etc. Sua prioridade é prover e não enxerga que tem o dever e o direto de cuidar de sua família da mesma forma que a mulher. Até nas prateleiras das lojas, vemos que os brinquedos são um reforço para que esta situação se perpetue. Mesmo mulheres, que são educadas de forma a não aceitar passivamente estas disparidades, sofrem as consequências de uma sociedade patriarcal que exige da mulher um trabalho cumulativo, raramente dividido de forma igualitária com o restante da família, gerando uma sobrecarga física e emocional.

O mercado de trabalho é cruel, apesar das leis existentes. A agência de empregos Catho constatou que mulheres ocupando os mesmos cargos e realizando tarefas iguais às dos homens, chegam a ganhar até 34% menos do que eles — dados de fevereiro 2021. (fonte: Correio Brasiliense — Ana Luisa Araujo — 24/05/2021). Ter um currículo mais qualificado não resolve. Elas têm maior dificuldade de inserção no mercado de trabalho.

Os prêmios Nobel, também, são um reflexo deste cenário, onde desde a sua criação em 1901 até 2021, foi concedido premiação a um total de 886 homens, 57 mulheres e 25 organizações. Este ano, todos os agraciados são homens.

Durante pandemia a segurança da mulher foi afetada e os casos de violência doméstica e feminicídio aumentaram. Segundo pesquisa do Datafolha, 24,4% das mulheres acima de 16 anos, afirmam ter sofrido algum tipo de violência ou agressão (Fonte: Agência Câmara de Notícias). Foram registrados 1.350 feminicídios só em 2020. A maioria das vítimas são mulheres negras que paradoxalmente, raramente são vistas nas manchetes de jornal. O racismo estrutural se soma ao machismo deixando-as mais vulneráveis e invisíveis.

Esta invisibilidade e a falta de respeito com os direitos das mulheres não podem mais serem ignorados. Cabe a cada um de nós lutar para que leis sejam cumpridas, a violência contra a mulher seja extinta, com o respaldo da justiça, visando sempre a segurança das possíveis vítimas. Que consigamos realizar campanhas educativas sérias, aplicadas em escolas, levar informação através dos livros e mesmo no aconselhamento individual realizados em conversas familiares, educando, assim, as próximas gerações, para que este pensamento estrutural exclusivo seja uma história do passado. https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/dar-voz-as-mulheres-que-precisam-e-um-ato-revolucionario-contra-a-invisibilidade-feminina/

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